Professor kodansha shichi-dan (7º dan) Takeshi Yokoti © Arquivo
Takeshi Yokoti está comprometido em expandir os programas de judô para comunidades e municípios menos representados, propiciando que o judô seja mais acessível e inclusivo.
Por Avança Judô
15 de maio de 2024 / São Paulo (SP)
Dando sequência à proposta de apresentar o perfil dos candidatos que compõem a chapa Avança Judô, vamos falar de um homem do interior que traçou uma trajetória de vida singular, passando por todas as áreas da gestão.
Trata-se do professor kodansha shichi-dan (7º dan) Takeshi Yokoti, árbitro internacional FIJ A que desde 2016 coordena a arbitragem da Federação Paulista de Judô e desde 2012 é delegado regional da 16ª DR Sul-Itapeva, a mais nova da entidade.
No mundo do judô, os princípios de honra, respeito e disciplina são tão importantes sobre os tatamis quanto fora deles.
Esses valores são facilmente identificados em Takeshi Yokoti, que pretende estimular ao assumir o desafio de candidatar-se à vice-presidência da entidade com uma proposta focada em acolhimento, fair play e a boa governança.
Por toda a expertise acumulada com sua atuação à frente da DR Sul-Itapeva e da coordenação de arbitragem, Yokoti é parte importante do movimento que busca proporcionar ainda mais transparência a todos os setores da administração da FPJudô.
“É fundamental que cada filiado, praticante ou atleta, sinta total confiança na administração e perceba integridade e lisura, em todas as áreas da entidade, seja na organização das competições seja no direcionamento sempre atual e efetivo da arbitragem ou da administração.”
Experiente árbitro internacional, Takeshi entende que o judô não pode ser visto e nem administrado como uma modalidade esportiva qualquer.
E sua visão ampla sobre o esporte assegura que as práticas de boa governança podem ser integradas não apenas às regras da competição, mas à gestão das instituições esportivas, forjando novas gerações de mulheres e homens pautados nos princípios do judô.
Sensei Takeshi em seu dojô, a Associação Itapevense de Judô © Arquivo
Sobre a Gestão
O delegado licenciado da DR Sul-Itapeva mostra como vê as questões da gestão íntegra.
“Entendo que a boa governança é mais do que apenas seguir regras; trata-se de criar um ambiente no qual todos os envolvidos — desde atletas e técnicos até os administradores — operem com a máxima integridade e respeito. Nossa meta é assegurar que a Federação Paulista de Judô seja um exemplo de administração ética e eficaz, promovendo não apenas o crescimento do esporte, mas também o desenvolvimento pessoal dos nossos atletas e filiados por meio de políticas de acolhimento fundamentadas nos princípios do judô.”
“Não basta estar um judoca. Temos de buscar verdadeiramente ser judocas, seja seguindo os princípios do judô no dia a dia seja praticando o fair play dentro e fora dos tatamis.”
Se eleito, o coordenador de arbitragem licenciado planeja implementar uma série de reformas que incluem aprimoramento dos programas de treinamento para árbitros, mais transparência nas decisões administrativas e uma política de tolerância zero para qualquer tipo de violação do fair play.
Ele também se compromete a expandir os programas de judô para as comunidades menos representadas, garantindo que a modalidade seja acessível e inclusiva.
“O judô me ensinou sobre o equilíbrio entre força e flexibilidade, ação e reflexão. Quero trazer esses ensinamentos para a maneira como gerenciamos nossa federação.”
Com essa filosofia, ele espera não apenas elevar o padrão de governança dentro da Federação Paulista de Judô, mas também inspirar atletas, professores e colegas da arbitragem a viverem esses valores em todas as áreas de suas vidas.
Sensei Takeshi faz explanação na reunião dos delegados de 2018 © Arquivo
Judô nos Municípios
Com base no modelo já inserido por ele em várias prefeituras da 16ª DR, e particularmente na bem-sucedida parceria com o município de Aguaí, Takeshi revela ter um plano ambicioso para multiplicar o número de filiados, tanto atletas e praticantes quanto pessoas jurídicas.
“Não podemos mais ficar esperando que as coisas aconteçam, que novas entidades sejam criadas e venham filiar-se. Temos de criar instrumentos e mecanismos facilitadores para adesão das prefeituras do interior, para, no primeiro momento, duplicarmos o número de filiados, mas visando não apenas a formar atletas, e sim transformar as vidas de um número inimaginável de crianças e jovens que buscam, além do lazer, uma formação básica que hoje podemos oferecer por meio da parceria com o CREF4/SP e o programa Keisei no Michi. Isso vale igualmente para meninas e meninos que buscam melhor qualidade de vida na prática esportiva.”
Takeshi lembra que a eleição se aproxima e a comunidade do judô precisa ficar atenta às propostas que vêm sendo feitas.
Com sua vasta experiência e um plano robusto para o futuro da modalidade, Takeshi Yokoti representa uma nova era de liderança que promete respeito, integridade e inovação.
“Não podemos mais sonhar em apenas formar campeões para os tatamis, temos de aspirar mais e formar uma geração que se destacará em todas as áreas de atuação profissional. Além sonhar mais alto, e além de fomentar o esporte, temos de olhar para o aspecto social para que as futuras gerações sejam beneficiadas com os padrões de conduta que existem apenas no judô.”
Takeshi Yokoti, foi promovido a árbitro internacional FIJ A em 2016 © Arquivo
Trajetória Exemplar
Perto de completar 60 anos, o campineiro Takeshi Yokoti pratica judô desde a infância, quando ingressou no Clube União Cultural de Sumaré.
Mas a sua formação como indivíduo e como atleta começaria alguns anos depois, quando se mudou para Americana e teve contato com os senseis Umeo Nakashima e Anderson Dias de Lima.
“Esses dois professores me deram toda a estrutura, todo o aprendizado, todos os fundamentos, e me ensinaram realmente as questões de caráter, humildade, ética. Se eu cheguei onde cheguei dentro do judô foi graças a esses dois senseis.”
Quando competia, seu tokui-waza era o-goshi e o harai-goshi, duas técnicas que sempre usou. Mas o importante mesmo para Yokoti é a determinação.
Um lema de Jigoro Kano – quem teme perder já está vencido – marcou todos os momentos de sua vida, tanto no aspecto particular quanto na elaboração de projetos profissionais.
“Quem pensa de forma negativa nunca vai alcançar seus objetivos. Por isso essa frase é muito impactante para mim. Nunca se deve entrar em qualquer situação achando vai perder, e graças a Deus, pensando de forma positiva, sempre fui vencedor.”
Essa perseverança pôde ser constatada quando da criação da 16ª Delegacia Regional Sul-Itavepa da FPJudô, cujo processo conduziu a partir de meados de 2011, quando a federação era presidida por Francisco de Carvalho.
A intenção era subdividir a 7ª DR Sudoeste, que então abrangia uma das áreas mais extensas do Estado.
“Sinto-me muito orgulhoso de ter feito parte desse processo, concluído em janeiro de 2012 sem impactar negativamente a DR 7ª Sudoeste, e também de ter sido nomeado delegado”, afirma Yokoti.
A 16ª DR começou a funcionar com apenas nove entidades filiadas e nos 12 anos seguintes alcançou a marca de 32. “Infelizmente, algumas acabaram desistindo, principalmente por causa da pandemia que obrigou alguns dojôs a fecharem as portas. Mesmo assim, continuamos com um número bem expressivo.”
Não custa lembrar que a região coberta pela 16ª DR é considerada uma das mais pobres do Estado.
Para conseguir adesão de novos filiados, Yokoti executou um trabalho corpo a corpo, ganhando a confiança dos professores por meio de uma gestão bem conduzida e transparente.
“Hoje, a estratégia que usamos é proporcionar a todos os filiados da 16ª DR cursos, treinamentos técnicos e eventos regularmente. Temos em torno de dez amistosos dentro da nossa delegacia e isso permite que atletas novos, ao lado dos filiados mais antigos, possam competir em nível elevado.”
Nem seria necessário dizer, mas não custa lembrar que o conhecimento da realidade do judô no interior paulista – assim como a do outro candidato a vice na chapa Avança Judô, Raul de Mello Senra Bisneto – será fundamental para fomentar o judô nas áreas mais remotas do Estado.
“Temos mesmo muito potencial no interior paulista onde há muitos praticantes que gostariam de participar de competições mas ainda não encontraram oportunidades.”
Depois de atuar como secretário de Esportes de Itapeva, período que considera de grande aprendizado, Yokoti leva para a FPJudô amplo conhecimento dos meandros da gestão pública.
“Isso me ajudou bastante dentro da delegacia, como gestor, e tenho de certeza que também será útil em meu trabalho na federação”, garante.
O mesmo se pode dizer da experiência acumulada no comando da arbitragem do judô paulista.
Promovido a árbitro FIJ A em 2016, categoria em que se enquadram 18 árbitros atuantes atualmente em todo o Brasil, Yokoti dispõe-se a fomentar ainda mais a arbitragem, setor em que São Paulo é o mais expressivo do País, não só pela quantidade, mas também pela qualidade.
“Já temos um grande número de árbitros no Estado, mas logicamente vamos fomentar ainda mais a atividade e estimulá-los a se capacitarem para atuar em eventos estaduais e, principalmente, nacionais. Vamos dar condições para crescerem dentro da arbitragem, participando dos exames para as categorias nacional, continental e internacional, alcançando até o nível FIJ A.”
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